Texto
resumido a partir de reportagem
de Gilmara Gelinski
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 32
Edifício Torre 2000, São
Paulo-SP
Cristal, pedra e aeronaves no topo
Criado
para atender empresas de porte médio, o edifício
comercial Torre 2000 foi implantado em local de grande visibilidade,
em São Paulo.
O desenho destaca um bloco de vidro laminado
sobreposto a uma grelha vertical de granito, coroado por elemento
circular revestido com placas de alumínio composto.
A caixa de vidro está apoiada em pilares
circulares de 10 m de altura, revestidos com painéis de
alumínio composto. Nos fundos do lote, uma área
resultante da redução da taxa de ocupação
e da implantação da torre abriga uma grande praça.
A conformação de cada pavimento-tipo, com área
útil de 400 m2 dividida em quatro módulos acopláveis
de 100 m2, privilegia a vista da região, do alto de seus
25 andares.
A
flexibilidade do layout é garantida pela inexistência
de pilares internos e pelos shafts visitáveis, localizados
em pontos estratégicos de cada andar. A estrutura tem um
núcleo central estrutural e pilares de periferia em concreto
armado, que sustentam as lajes de piso.
Na execução da fachada do edifício
foi utilizado o sistema stick. Colunas e travessas formam uma
malha estrutural fixada à estrutura com ancoragens de alumínio
e chumbadores expansivos de aço inox. É essa malha
que recebe os quadros de vidro.
A vedação da fachada frontal foi
executada com silicone glazing, enquanto nas laterais e na posterior
ela resulta da combinação de elementos de concreto
pré-moldados verticais, revestidos com granito, e silicone
glazing.
Para as áreas de shafts, escadas e sanitários,
foram utilizados blocos de concreto com aplicação
de textura.
Orientada para o sul, a fachada frontal recebeu
vidros laminados refletivos prata de 8 mm, Cool Lite, de alto
desempenho térmico. No total, foram utilizados cerca de
5.200 m2
de vidro.
O
sistema silicone estrutural foi produzido com perfis de alumínio
da linha especial Mário Newton
60 mm e executado pela Itefal. Os caixilhos receberam tratamento
anodizado preto fosco A-18, da Olga Color.
Para a vedação, foram usadas gaxetas
de EPDM
em três níveis. Em dois deles, elas têm os
cantos vulcanizados por meio de injeção.
As travessas têm formato especial que permite
a saída de água para o lado externo através
de drenos, assegurando a estanqueidade no caso de ocorrência
de falhas na vedação.
As ancoragens foram fabricadas com perfil de
alumínio e fixadas à estrutura com chumbadores de
expansão. Os arremates de peitoril (veja detalhes) e os
que dividem diferentes espaços foram preenchidos com gesso
para oferecer isolamento acústico entre andares e entre
ambientes.
Outro detalhe da fachada principal: nos cantos,
a 90 graus, não existe coluna estrutural de alumínio,
somente um tubo de alumínio de 4 cm x 4 cm para cada vedação
do vidro (veja detalhe). Os quadros, montados em forma de L, dão
mais leveza ao conjunto.
Com pé-direito de 8 m, o lobby é
protegido por sistema de envidraçamento; os vidros são
fixados em uma subestrutura de alumínio que está
ligada à estrutura metálica.
O conjunto foi dimensionado e fornecido pela
Itefal. Os caixilhos do lobby também serviram de apoio
para uma grande marquise estruturada em metal e revestida com
painéis de alumínio composto.
Para
o projeto de um heliponto é necessário adotar como
parâmetro o tamanho da maior aeronave que irá operar
no local. Essas medidas são importantes para dimensionar
a capacidade portante que a área de toque - o centro do
heliponto - deve ter, de modo a garantir o pouso do aparelho,
e a quantidade de extintores necessários em função
do tamanho do tanque de combustível do helicóptero.
Na Torre 2000, a princípio, foi adotado
o modelo Sykosky S76, mas ele exige uma plataforma quadrada de
24 m x 24 m, que definia uma circunferência de Ø
34,6 m. Essas dimensões são exageradas em relação
aos recuos determinados pela legislação municipal.
Assim, a Sanca Engenharia, o arquiteto Jonas
Birger e o engenheiro Carlos Freire optaram por um heliponto de
21 m x 21 m, com área de toque de
14 m x 14 m. O projeto atende o segundo maior helicóptero
em operação regular na cidade de São Paulo,
o Dauphin.
O heliponto está inserido em uma área
circular protendida - que faz o coroamento do edifício
- revestida em sua parte inferior com painéis de alumínio
composto de 4 mm, na cor prata.
Segundo Freire, consultor técnico do projeto
aeronáutico, a resistência da área de toque
é compatível com o Sykosky S76, que pesa 5,3 toneladas.
Embora não fosse este o helicóptero
adotado como modelo, serviu como determinante para dimensionar
a resistência do piso do heliponto, afirmou. A proteção
contra incêndio também foi dimensionada para aeronaves
maiores que o Dauphin.
Devido às necessidades dimensionais do
heliponto circular e do tratamento final das fachadas, foi necessária
a construção de grandes balanços, possíveis
somente em estrutura metálica.
A leveza desejada pelo arquiteto foi obtida com
uma trama executada com perfis soldados de alma cheia fabricados
em aço Usi-Sac 41 de alta resistência à corrosão
atmosférica.
Todas as peças receberam tratamento superficial
à base de epóxi e acabamento em poliuretano na cor
branca. A estrutura metálica foi fixada na laje de concreto
por meio de chumbadores químicos com espessura de 11/4
de polegada (~ 7 cm).
Na execução da área de toque
foi empregada laje de concreto do tipo steel deck. Para diminuir
o peso próprio da estrutura, na região dos balanços
foram aplicadas chapas metálicas como piso.
Texto resumido a partir
de reportagem
de Gilmara Gelinski
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 32 Janeiro 2002